Estava pronto para atravessar a rua na esquina da Nazareth com a Godói ( chamo de Godói porque não lembro o nome todo, velho é uma bosta). Quando ela parou ao meu lado. Cabelos negros, saia preta, blusa branca de doer a vista, e sapatos pink fosforescentes. Óculos escuros e a indefectível bengalinha retrátil. Uma deficiente visual. Não senti dó, nem compaixão porque ela além de muito bonita, era muito gostosa também. Daí vocês vão pensar: - Eita velho tarado ! Mas o fato é que a ceguinha era boa prá caramba. Ofereci-me para auxiliá-la a atravessar a avenida, ela prontamente concordou e segurou no meu braço. Mais tarde ela disse que os deficientes visuais sempre preferem segurar no braço de quem os conduz na travessia de uma rua, pois se vier um carro muito rápido, o instinto falará mais alto e qualquer pessoa sairá correndo deixando o "ceguinho" na roubada. Bom prá encurtar, eu sempre estava lá no mesmo local e horário, e papo vai, papo vem, acabamos namorando. Vocês não sabem o que é ter uma relação amorosa com uma deficiente visual...ual ( perdoem-me o trocadalho do carilho). Elas querem compensar a falta da visão pelas outras sensações, principalmente a voz e o tato. Foi provavelmente uma das melhores transas que eu nunca tive. Por que então não casamos ? Porque ela morreu. Simples assim ? É...mas no enterro dela percebi que muitos homens ( deficientes visuais e não deficientes ) choravam mais do que se fossem parentes ou amigos... acho que além de cega ela era Ninfomaníaca... mas que se dane, era muuuuuuito bom !
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